segunda-feira, 28 de abril de 2014

Sobre macacos, bananas e oportunismo...

em 28 de abril de 2014

No ensino fundamental, fui surpreendida ao ouvir um professor de educação física se referir a um colega chamando-o de macaco. Afora os risinhos de alguns, o sentimento daquelas crianças, em sua maioria, pobres, pretas e residentes de São Caetano foi de profunda perplexidade. Tínhamos a exata dimensão do quão grave era a atitude daquele dito educador. Não lembro qual atitude foi tomada pela escola, sei apenas que ele, insuportavelmente, continuou sendo meu professor por todos os anos que continuei lá estudando. Já maior, num restaurante, com uma amiga também pobre e preta, fui exaustivamente interpelada pelo gerente do estabelecimento, a ponto de me sentir constrangida por estar naquele espaço. Não lembro qual atitude foi tomada pelos presentes, que evidentemente perceberam a atenção especial que recebemos, sei que saímos de lá com o sentimento de que nunca deveríamos ter entrado naquele lugar. São apenas dois casos (separados por um lapso de aproximadamente quinze anos), de inúmeros que poderia citar e que também aconteceram comigo, com pessoas próximas e outras não tão próximas assim. E então, vocês, que estiveram silentes todo este tempo, evitando o barulho, mentindo para nossas crianças, fazendo-as acreditar no inacreditável, inventam dizer que somos todos macacos e que uma banana (seja lá literalmente, metaforicamente ou qualquer “mente” dessa leviandade toda que vocês comercial(mente) estão espalhando) nos representa? Meus amigos, além da profunda ausência de conhecimento de causa, falta vergonha na cara.

Não somos todos macacos. Hashtags e bananas não me representam.

domingo, 6 de abril de 2014

A Deus (pedaço)

em 31 de julho de 2013

Décima primeira regra: não permita que o aceno do adeus signifique partida, pois, se somos muitos, assim como um feixe de palitos qualquer, já não podemos partir com tanta facilidade.

(fragmento de carta que marca o encerramento de um ciclo e o início de outro maior)