domingo, 12 de outubro de 2014

Doce sentido

em 12 de abril de 2014

Fomos apresentadas muito jovens, eu mal sabia pronunciar a palavra caroço, mas desde ali já era amor. Fiquei encantada com o cuidado que receberam meu cabelo e meu sono, à época já tão rebeldes. Vejo a distância que se estabeleceu, mas perceber que a ponte permanece intocada como há quatorze anos, não me faz triste. Volta e meia sinto o cheiro daquela casa, a casa que me apresentou o que de mais fraterno eu poderia encontrar. Com pouco esforço ainda sinto o beijo na testa e escuto o sotaque das suaves palavras. Mas é o olfato, o meu doce sentido, todas as vezes que tem um cheiro entranhado no meu corpo, na minha roupa e nas minhas coisas, que me remete à felicidade tão pouco compreendida naquele tempo. Foi lá que aprendi e, até hoje, por ele sigo, sem medo, com um sorriso imenso ao me deparar com os vestígios de alguém em mim.