em 17 de abril de
2014
Rios
(por Viviane Mosé)
Rios, quando ainda
são rios,
Conservam vegetação
nas margens.
Córregos são águas
geralmente claras
Que correm rasas
entre as pedras.
Algumas vezes
árvores chegam a cobrir um rio por inteiro:
Suas copas vão
tecendo um véu verde sobre as águas
(em geral muito
limpas) que correm.
As margens de
um rio são plantas e terra molhada.
Terra e água em
convivência pacífica.
Que não é lama, é terra
e água,
Em sua diferença.
O leito se sabe
leito daquele fluxo líquido inserido no chão.
Eu poderia chorar de
coisas assim:
Corre um rio de
minha boca corre um rio de minhas mãos.
Dos meus olhos corre
um rio.
Na verdade sofro de
excessos, que me dão certo vocabulário
Como derramar,
escorrer, atravessar.
Tenho a impressão de
que tudo vaza em sobras.
Tenho dificuldade em
caber.
Pra caber mais
derramo por nada derramo sem motivo.
Vou acalmar meu
excesso pensei
Ministrando doses
diárias de barcos ancorados ao sol,
Rodeados por
pequenos pássaros em busca de restos de peixe.
Águas se lançando
sobre as pedras e um vento que parece vivo,
Como se tivesse a
intenção de às vezes fazer agrados
Em minha pele.
Meu rosto tem muita
simpatia por ventos,
Reconhece certos
humores próprios a vento.
Gosto de coisas que
se movem.
Por isso aprecio
rios e não sou tanto assim apegada a mares.
E árvores.
Se bem que tenho
enorme ternura por bois
Fincados no pasto
como palavras no papel.
Palavras são estacas
fincadas ao chão.
Pedras onde piso
nessa imensa correnteza que atravesso.