terça-feira, 24 de janeiro de 2017

(pra quem não é peixe e está muito longe do mar)

em 25 de janeiro de 2017

Há quem diga que queremos estampar nossas dores em todos os outdoors pela cidade. Há quem veja a mochila pesada, mas prefira enxergar só uma necessidade daquele corpo em deixar visível a curvatura, do que o real peso que nela existe. Há quem ache sem lugar o choro, o soluço e o desespero. Há quem ache teatral demais prum ser humano. Há quem finja que não vê. Há quem não veja. E existem nós. Os sensíveis demais. Dramáticos demais. Chatos demais. Esses seres por um fio, que estão sempre derramando. Agora sabe o que dói? Dói o fato de que nunca queremos muito. Às vezes, a gente quer só uma mão pra atravessar a ponte e não deixar que olhemos o quanto embaixo dela, pra nós, é perigoso, porque há uma vontade quase que incontrolável de se jogar. Basta um olhar pra te dar abrigo no meio de toda aquela gente estranha e avulsa, mas a maioria das vezes ele tá lá na merda da tela do celular espreitando e curtindo a vida de quem nem perto, fisicamente, está. A gente quer abraço – amamos abraços! -, porque tantas vezes falta casa e é necessário saber onde, de fato, se mora, porque a culpa de ser só já pesa por demais. E, olha, a gente nem quer falar da dor, sabe... A gente quer as cócegas durante o abraço, lembrar daquele retrato engraçado, de como eu falo embolado quando estou bêbada. A gente sempre preferiu rir, só que as vezes não dá, é um mundo inteiro padecendo e você dentro dele pra carregar, assim, numa porrada só. É confuso mesmo. E muitas vezes doído. Muitas mais solitário. É. Ainda continua mais fácil se emocionar com Coração Selvagem pelo computador. Belchior sumiu, talvez por isso ele hoje seja mais legal.