terça-feira, 18 de maio de 2021

ensaio sobre um te amo

dos poucos minutos que a vida rouba
meu sono paralisa e respeita o rito

é que a palavra engasgada entre os sustos
ensaia sair da boca
e já não mais envergonhada
balbucia o que sã não podia ser dito

o inconsciente que muito grita
o corpo que tanto treme
os olhos que se abrem repetidamente
silenciam

o sonho bonito pausado
ou o sono tranquilo inaugurado
a letargia que demorava a chegar
alertam

é madrugada
e já não se sabe se é tarde
ou muito cedo pra dizer
te amo