terça-feira, 15 de fevereiro de 2022

hoje jaz uma poeta

foi de verso triste que me enxerguei
e o marasmo e a
melancolia
me apelidaram de gente

naquela rima boba
de pressa e agonia
é que eu criei o poema sem métrica
mais dolorido que existiu

e sem jeito
as palavras encadeadas
ligadas
e arrastadas pelo veneno de quem me feriu
me fizeram artista

da memória que pariu a lágrima
da lembrança que brotou
inconveniente
da foto borrada no álbum bonito
sem resolução

mas hoje as redes
seguram vidas
na quantidade de peixes
que a ninguém alimenta

a rede que não alcança só o mar
aprisiona até o poema mais ridículo
de todos os tempos

comprimindo os bofes
mata sufocada até a melancolia de antes
que rendeu o poema feio

e apertando como nó
que destrincha o que é mole
também não deixa o marasmo viver

porque mesmo ao morto
à rede só interessa o sorriso