sexta-feira, 30 de setembro de 2022

ofício

Dias muitos, titubeio
A mediocridade
A dúvida
Repousam aqui
Querendo me fazer
Uma qualquer

Nos outros, corriqueiros
Que a lágrima escorre
Lamento não ser comum
Esperneio
E danço com a verborragia
Que me é particular

Triste dizer que a dor me remonta
Nas cólicas doídas
Do pouco saber
E nas palavras tortas
Que vomito atravessadas

Reluto em não ser coisa
Clamo ser muito mais do que gente
E no entremeio da carne exposta
Nos dias que poesia me é chão
Comida e alento
Agradeço porque sou artista

drops

O prazer se apequenando
Ali na língua
Gosto se esvaindo
Gozo misturado na saliva

Nunca senti

Poder estava nos dentes
Que quebravam o doce
Em pedaços quase macerados
Acabados

Na facilidade de um analgésico
Com os efeitos colaterais do corticóide
Pura droga
De rápida absorção

Práxis

Querer era outro tópico
Que não cabia na necessidade
Do corpo diagnosticado
Com pressa

As vias orais
Perplexas, intangíveis e capciosas
Eram túnel obsoleto
Que só transitavam caminhões
De carga