domingo, 27 de julho de 2014

aquela

em 27 de julho de 2014


Aquela palavra. Aquela palavra não dita que sepultou aquele, também, amor não pronunciado. Muitas vezes sufocada, tatuada em braços de cadeiras, corpos e mares. Migrou tardiamente para as folhas amareladas daqueles espirais infantis. Virou canção, mantra, poema. Revirou os contos, achou comum o que chamavam de platônico. Padeceu todas aquelas dores banais, frutos do silêncio. Revirou a cama, murmurada nos terrores noturnos. Sofreu de uma vez todos aqueles amores velados. Por várias vezes, por vários dias e noites. Foi dita em frente ao espelho, embaixo do chuveiro e sussurrada ao lado do desconhecido no ônibus. Esquecida nas ocasiões cruciais, rejeitada ante aquele destino tão óbvio e previsível. Ficou presa na reação estranha de todos aqueles órgãos que insistiam em palpitar, conquanto ela precisava apenas ser dita. E gritou. Tão alto que pôde ouvir-se e compreender-se. A partir de então, jamais calou. Disse dos gostos e desgostos, colecionou amores e afogou todos quando assim o quis. Foi ouvida quando existiu saudade e integrou as mais bobas e sinceras cartas. Se ressignificou.

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