em cinco de maio de 2017
Tem uma escada que é caminho para a casa dos meus pais. Ela é um marco na minha vida. Na infância, foi através dela que vi a criação dos meus primeiros laços de afeto e entendi, já brevemente, um pouco sobre distâncias. Crescendo, vi o quanto de insegurança cercava aquela escada: os assaltos e o desconhecido faziam dela um lugar que deveria ser evitado, principalmente à noite. Hoje eu sei menos de passos do que antes. Tenho questionado o tamanho das minhas pernas, o tempo dos meus caminhos e o lugar onde piso, mas ver aquela escada tão grande e a esquina que a antecede não me causa medo. Eu a vejo antes de chegar e depois de passar pelos boêmios de todo dia. Ela está lá depois de um poste com a luz fraca e que é morada de quem me cuida. Eu o saúdo quando passo. E os passos não têm pressa, porque subir não tornaria menos sagrado o chão que piso. Do pouco desse caminho tortuoso, muito salta, mesmo quando os pés vagueiam sem direção. Arrepia a pele, abre a boca, sai palavra. Meu caminho é dele. Meu caminho sou eu. E escadas são passagens. Necessárias passagens.
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