Tem uma pessoa que me ajuda a direcionar o fio de tecer a vida que sempre me fala que as repetições são uma nova chance de aprender com os nossos erros. Minha teimosia e incredulidade para muita coisa sempre me fizeram andar por lugares e sensações muito parecidas, indicando que a Vida não mais me sugeria que eu aprendesse, mas gritava que eu precisava extrair daquela situação algum ensinamento. Ela gritava de um lado e eu de outro, querendo impor aquele ego já tão fragilizado pelas porradas levadas. Mas, no final, a gente sempre sabe quem ganha nesse cabo de guerra. A ideia de ter vencido ou alcançado o topo é tão mais traiçoeira que qualquer adversário, até porque, com ela, a gente abre mão das nossas reservas, do medo e, até, da nossa própria capacidade de ser humano e falhar, de um jeito que sem esse tripé nada se sustenta. Só resta a queda e o chão, como único meio para poder, quem sabe, levantar de novo.
Eu falava da pouca força dos meus braços, como se meus passos bastassem. Me julgava uma exímia caminhante até perceber os círculos que ficaram marcados na terra, sem contar os que foram sumindo com a água que escorreu dos meus olhos. E, agora, com esses dedos com poucas digitais e cotovelos ressecados é que minhas mãos e braços passaram a ter sentido. Esses membros que aprenderam tardiamente sobre o toque e, ainda tão desajeitados, se entrelaçam a outro corpo envergonhados, precisam sustentar todo um corpo para reerguer-se.
Agora, a voz da vida é um pouco mais doce, como a mãe que acalanta depois de repreender. E meu silêncio revela o movimento inverso das palavras que foram vomitadas, como se meu tronco precisasse ficar ereto apesar do enjoo e das pontadas no estômago. A boca está seca, sem palavra para ser dita, mas quem sabe um dia nós façamos as pazes, Vida...
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