quinta-feira, 7 de julho de 2022

numa folha seca eu vi o tempo passar

Tem uma coisa bonita no tempo
Que é a natural cicatrização da sua passagem

O processo de secar as bordas da memória
fazendo moldura

Ou petríficá-la até o primeiro toque
Quando, como planta seca,
Tudo vira pó

O tempo costura palavras de ordem
Até na coisa desidratada
Tesa, incólume
Nem que seja pra tatuar:
Fim

Mas emenda também
Os corpos malemolentes
E suas peles oleosas, espessas
Infindas

O tempo
Aquele verbo fenômeno da natureza
Meio intransitivo
Costura e enlaça o que o cerca

Toda uma humanidade
De coisas e sentimentos
E pessoas
O esperam, o honram ou
Esbravejam
Porque o fio solto
Às vezes vira nó

 


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