segunda-feira, 13 de abril de 2020

parabéns (ou não)

Vi uma foto que estava com uma cor bonita ao seu lado. Me agradava você não ser de cara, assim, tão branco. Meu arquivo é repleto de lembranças, algumas muito felizes, outras nem tanto. Tem um sem número de fotos com você que talvez eu nunca apague. Eu gosto de datas e de lembrar do que fiz nelas. O nome histórias (em português), por si só, já é muito simbólico e cabe bem para uma de amor que chegou ao fim. A gente relutou em voltar pro marco zero de nossas vidas, tendo preferido até, emocionadamente, ultrapassar a reta numérica e ir pro negativo, numa vã tentativa de driblar o zero, onde estaríamos sozinhos novamente. Recomeços são difíceis para mentes sonhadoras que têm tantas expectativas – como as nossas –, mas necessários para quem, tentando se equilibrar na corda bamba, insiste em dar a mão a alguém. O segredo está em nossos pés e braços. Ou assim deve ser (não sou muito entendida de slackline, mas a metáfora parece boa para uma amadora escritora). É o meu desejo: pés firmes e braços como asas. Nunca acreditei muito nisso do homem não poder voar e sempre defendi a necessidade de voltar pra casa, seja ela física ou os sentimentos bons que carregamos dentro de nós. E é assim bem piegas que tem de ser. Seria injusto se fôssemos apenas uma coisa só. Assim, ódios e amores facilmente se justificariam. Mas ser gente é ser um emaranhado. De sentimento, de afetos, de percepções e cheiros, mesmo para olfatos menos apurados. E por sermos emaranhados é que uma ponta sempre vai nos ligar a alguém, ainda que futuramente essa ligação se rompa. O que verdadeiramente importa é que ali, naquele mísero instante de identificação, se viu no outro um pouco da gente e só nos resta escolher o que de bom retorna para nós e o que emanamos. E o mundo gira, as pessoas e os móveis da casa mudam de lugar, o emaranhado cresce e nós também. Hoje um gato, chamado trint'anos, brinca com o novelo de fios remendados que me tornei e vai dando destino às pontas soltas que com o tempo foram ficando. Que o seu novelo seja colorido e robusto, para que possa ser jogado de um lado para outro e permanecer firme. Que um dia nossas pontas novamente se encontrem e a gente ria desesperadamente como da primeira vez. E, se porventura não sobrar ponta, que a gente olhe com carinho para aquela parte do novelo mais flexível, que foi o exato momento em que nos deixamos mudar. E que, de lembrar, a gente novamente cresça, só por tentar ser melhor, o que já é um grande passo.

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